A acusação de estupro de vulnerável contra um professor de música da Escola Municipal Aristides Amaral (CAIC), em Patos de Minas, ganhou novos desdobramentos neste fim de semana e provocou forte mobilização na cidade. Familiares das supostas vítimas foram às ruas em protesto e, na noite de sábado (23), o carro do investigado foi alvo de dez disparos de arma de fogo.
O caso teve início após a mãe de uma aluna de 4 anos denunciar o professor por abuso. A repercussão levou a relatos de outras possíveis vítimas, mas a Polícia Civil reforçou que não há, até o momento, elementos que comprovem a existência de nove casos.
O professor foi ouvido e liberado porque, segundo a corporação, não havia elementos suficientes para a prisão em flagrante.
Protestos e pedido de justiça
No sábado (23), familiares das supostas vítimas se reuniram no Galpão do Produtor para cobrar providências das autoridades. Uma das manifestantes foi Carla Folha, mãe de uma criança que teria sido abusada.
“Eu como mãe de uma das vítimas só quero justiça pela minha filha, mas eu estou aqui não só por ela, mas também pelas outras crianças e pelas outras mães que nem sempre têm coragem de se expor. Infelizmente isso é uma tragédia, são apenas crianças indefesas”, declarou em entrevista à NTV.
O caso também despertou autoridades do município e região, entre elas a deputada estadual Lud Falcão, esposa do prefeito de Patos de Minas, que se pronunciou, nas redes sociais. “São denúncias gravíssimas. Esse suspeito precisa ser investigado com rigor e julgado o mais rápido possível. Estarei em conjunto com os órgãos responsáveis para acompanhar de perto e cobrar que a justiça seja feita, para que ele pague pelo crime cruel que abalou nossa comunidade.”
Tiros contra o carro do professor
Ainda no sábado, à noite, o veículo do professor, de 49 anos, foi alvo de dez disparos de arma de fogo no bairro Jardim Centro. O carro apresentava marcas no capô, teto, portas e vidros. A Polícia Militar foi acionada e, após diligências, prendeu um homem de 40 anos suspeito de efetuar os disparos de dentro de um apartamento próximo.
No local, foram apreendidos uma pistola Taurus calibre 9mm, carregadores, munições, cápsulas deflagradas e pequenas porções de drogas. O suspeito, que apresentava sinais de embriaguez, foi preso em flagrante.
O atentado obrigou o delegado regional Jean Pierre Batista Neves a se pronunciar sobre o caso e alertar para o risco de buscar justiça com as próprias mãos:
“Justiça com as próprias mãos configura crime e não é tolerada pelo ordenamento jurídico brasileiro, sendo passível de pena de prisão. Seguimos trabalhando com firmeza, técnica e isonomia, e em breve apresentaremos resultados robustos.”
Próximos passos
De acordo com a Polícia Civil, a investigação prossegue com oitivas de testemunhas, coleta de provas e análise do celular do suspeito. O inquérito será concluído após a consolidação dos elementos que confirmem, ou não, a autoria dos crimes.
Outro lado
A defesa do professor não foi localizada até o momento para se manifestar sobre o caso. O espaço segue aberto para sua versão dos fatos.

