Por Danilo Gonçalo*
Anunciado pelo Governo de Minas Gerais, o plano de concessão da BR-365 pode não acontecer. Pelo menos em 2026. Pesam contra o projeto as disputas eleitorais, a guerra de narrativas entre Estado e o Governo Federal, a opinião pública e o reflexo disso tudo sobre o humor dos investidores.
O centro do problema tem nome: jurisdição. Atualmente, a BR-365 é uma rodovia sob responsabilidade do Governo Federal.
O leilão para concessão da rodovia, no entanto, foi publicado pelo Governo do Estado de Minas Gerais.
De um lado, a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) diz que a transferência da BR-365 para Minas Gerais ocorrerá antes da assinatura do contrato com a empresa vencedora do leilão.
Ao Notícias do Triângulo, a Seinfra afirmou que “desde o início da estruturação do projeto do Lote Noroeste, vem atuando de forma alinhada diretamente com o Ministério dos Transportes”.
O órgão reforçou que a “estruturação do Lote Noroeste foi autorizada pelo Ministério dos Transportes e conduzida com o apoio técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, empresa pública federal e principal estruturadora de projetos de infraestrutura do país”.
Por outro lado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) negou ter autorizado a concessão. Em resposta ao Notícias do Triângulo, o órgão foi categórico em dizer que “não emitiu qualquer documento que autoriza um edital de concessão rodoviária da BR-365 e não foi comunicado pelo Governo do Estado de Minas Gerais a respeito desta publicação”.
O DNIT informou ainda que “tem diversas obras e serviços previstos para a rodovia”.
A disputa entre os órgão pode passar longe de critérios técnicos, dos potenciais benefícios e dos riscos da concessão.
Em jogo, estão os interesses de Romeu Zema e Mateus Simões, pré-candidatos à presidência e ao Governo de Minas Gerais, respectivamente, e o planejamento de Lula, que busca a reeleição para a Presidência. Não há qualquer sinergia de planos entre eles.
Também deve pesar neste cenário o posicionamento de políticos e candidatos, que viram a oportunidade de montar um palanque barulhento em torno do tema. Deputados estaduais, federais e aspirantes a esses cargos já se posicionaram contra a concessão nos termos atuais.
No meio do fogo cruzado, seguem os usuários da rodovia, que mantém organizado um movimento para exigir que a BR-365 receba primeiro as melhorias necessárias, como duplicação e criação de acostamentos, antes da cobrança de pedágio.
Nesse cenário, ainda fica ainda a dúvida se haverá clima entre investidores para participar de um leilão, sem que MG tenha de fato a autoridade para conceder a rodovia.
* Danilo Gonçalo é jornalista com passagens e colaborações por veículos nacionais, como Folha de SP, UOL e R7. Em Minas Gerais, trabalhou no Jornal de Coromandel. Foi assessor de Comunicação da Prefeitura de Monte Carmelo por 7 anos. Atuou em campanhas políticas vencedoras para o Executivo e Legislativo. É consultor de comunicação e estratégia política e fundador da startup @meuconsultorpolitico.

