El Niño pode trazer mais calor e chuva irregular ao Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba
Previsão da Defesa Civil de Minas Gerais indica temperaturas acima da média e possibilidade de períodos secos intercalados com chuvas intensas entre outubro e dezembro
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O Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba devem entrar no período chuvoso de 2026/2027 sob influência de um El Niño em processo de intensificação. A previsão da Defesa Civil de Minas Gerais indica temperaturas acima da média no Estado e maior irregularidade na distribuição das chuvas, com possibilidade de períodos secos alternados com episódios de chuva intensa.
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A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais, por meio do Centro de Inteligência em Defesa Civil (CINDEC), aponta que o El Niño está em processo de intensificação e pode atingir a categoria super forte ainda em 2026. A análise considera dados de monitoramento e modelos climáticos utilizados para acompanhar o fenômeno.
O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões. Em Minas Gerais, a Defesa Civil destaca maior probabilidade de temperaturas acima da média e mudanças na distribuição das precipitações.
Os dados mais recentes analisados pela Defesa Civil mostram que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a +2,52°C em agosto de 2026, contra +2,03°C em julho. A região é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar a intensidade do El Niño.
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Triângulo pode ter chuva acima da média, mas de forma irregular
Para o trimestre entre outubro, novembro e dezembro, a previsão aponta um cenário diferente entre as regiões de Minas Gerais. No Triângulo Mineiro, a tendência é de precipitação acima da média, com anomalias geralmente entre +30 e +50 milímetros.
No extremo oeste do Triângulo Mineiro, os valores podem chegar a +100 milímetros em relação à média climatológica. A projeção, porém, não significa que haverá chuva contínua ou distribuída de maneira uniforme durante os três meses, de acordo com o relatório, divulgado nesta quinta-feira (1º).
Segundo a nota técnica, parte desses volumes pode ocorrer durante pancadas e tempestades, concentrando grandes acumulados em períodos curtos. Por isso, mesmo regiões com previsão de chuva acima da média podem registrar intervalos de estiagem entre os episódios de precipitação.
Para o Alto Paranaíba, a nota técnica não apresenta, no texto, uma anomalia numérica específica para a mesorregião. A área está inserida no contexto de monitoramento regional de Minas Gerais, e a Defesa Civil ressalta que a resposta das chuvas depende da interação do El Niño com outros sistemas atmosféricos.
Temperaturas devem ficar acima da média
O calor é um dos sinais mais consistentes apontados pela previsão para Minas Gerais. Para outubro, novembro e dezembro, os modelos indicam temperaturas médias entre 1°C e 2°C acima da climatologia em grande parte do Estado.
A Defesa Civil também aponta maior possibilidade de ondas de calor durante o trimestre. Períodos prolongados de temperaturas elevadas podem aumentar a evapotranspiração, reduzir a umidade do solo e elevar a demanda por água.
O cenário exige atenção também no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba, regiões que enfrentam períodos de baixa umidade durante a transição entre a estação seca e o período chuvoso. A nota técnica cita o Triângulo entre as áreas onde a umidade relativa do ar pode alcançar níveis de atenção ou alerta.

Chuva intensa pode ocorrer mesmo com períodos secos
A previsão da Defesa Civil não indica uma estação chuvosa marcada apenas por excesso ou falta de chuva. O principal alerta é para a irregularidade da distribuição das precipitações.
A análise aponta possibilidade de alternância entre períodos prolongados sem chuva e episódios de chuva intensa, com grandes volumes acumulados em pouco tempo. Esse comportamento pode aumentar pontualmente o risco de alagamentos, enxurradas e outros impactos hidrometeorológicos.
A intensidade do El Niño, por si só, não determina a intensidade dos impactos em Minas Gerais. A própria Defesa Civil destaca que as condições regionais também dependem da atuação de sistemas como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), frentes frias e padrões de circulação do Oceano Atlântico.
Por isso, a previsão deve ser interpretada como uma tendência climática para o trimestre, e não como uma previsão do tempo para cada dia. As condições efetivamente observadas no Alto Paranaíba e no Triângulo Mineiro dependerão da evolução dos sistemas meteorológicos nos próximos meses.
Calor e baixa umidade também aumentam risco de queimadas
Outro ponto de atenção é a combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e períodos sem chuva. Segundo a Defesa Civil, essas condições favorecem o aumento de focos de calor e a propagação de incêndios florestais.
A elevação das temperaturas também pode aumentar a evaporação de água em rios, lagos e reservatórios e pressionar os sistemas de abastecimento, especialmente durante períodos mais secos.
O monitoramento das condições meteorológicas e climáticas deverá continuar ao longo da primavera e do verão. A Defesa Civil considera o acompanhamento necessário para antecipar possíveis mudanças no comportamento das chuvas e subsidiar ações preventivas durante a transição para o período chuvoso de 2026/2027.
Escrito por
Cleiton Dias
