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Odelmo Leão votou para derrubar dois presidentes e teve gestão na Pandemia questionada

Ex-deputado federal e ex-prefeito deixa seu nome marcado por grandes feitos, mas sua biografia é marcada também por controvérsias e decisões questionáveis

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odelmo leão prefeito de uberlandia
Foto: Divulgação/PMU

Odelmo Leão, que faleceu nesta segunda-feira (27), aos 80 anos, deixa um legado de muitas realizações positivas na história de Uberlândia e do Triângulo Mineiro, mas ninguém constrói uma história grande sem deixar para trás um rastro de decisões questionáveis.

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É inegável que Leão foi um grande defensor da cidade que o acolheu e do agronegócio mineiro, mas ele também acumulou controvérsias durante seus 40 anos de vida pública que são relembradas neste momento, entre elas, a gestão da Pandemia de Covid-19 e seu apoio para o impeachment de dois presidentes.

Odelmo votou para derrubar Collor e Dilma

Em 1992, Odelmo estava em seu segundo ano como deputado federal por Minas Gerais quando explodiu o escândalo de corrupção no governo de Fernando Collor de Mello, levando o Congresso a votar o impedimento do então presidente.

Naquela época, Odelmo Leão, na casa dos 45 anos, estava filiado ao Partido da Reconstrução Nacional (PRN), mesma sigla de Collor.

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Na votação para o impeachment, Leão se posicionou a favor, contribuindo para que Collor sofresse as consequências políticas, ainda que tenha renunciado ao mandato para evitar a cassação.

Exatamente 24 anos depois, Odelmo Leão esteve novamente na posição de decidir o destino de um presidente, dessa vez o futura da primeira mulher a ocupar o cargo: Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Se estando no mesmo partido, o voto foi favorável, 'derrubar' um presidente da oposição foi uma tarefa mais fácil para o já experiente político.

Dessa vez no Partido Progressista (PP), Odelmo não teve dúvidas e declarou em plenário:

Sr. Presidente, o meu desejo é que, amanhã, renasça um novo dia neste País, nos lares de milhares e milhares de brasileiros, mineiros da minha região do Triângulo Mineiro e na minha querida Uberlândia. Que Deus nos abençoe! Amanhã é um novo dia de esperança. Meu voto é “sim”

Com essas palavras, ajudou a selar o destino de Dilma Rousseff, que foi afastada do cargo.

Receita do colapso - Gestão de Odelmo Leão na Pandemia

Uma postagem do professor Flávio Muniz no Instagram destoou das homenagens recebidas por Odelmo Leão após seu falecimento e trouxe à tona um dos episódios mais polêmicos da vida do político: a gestão da Pandemia de Covid-19.

Na postagem, Muniz lamenta que Odelmo tenha falecido sem responder pelas mortes ocorrida em sua gestão à frente da Prefeitura de Uberlândia, no período entre 2020 e 2023.

A publicação, carregada de ódio, como deixa bem claro o professor, expõe a atuação política de Odelmo durante a pandemia de Coronavírus, que matou mais de 3.500 pessoas no município, dentre os cerca de 240 mil casos positivos registrados, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde de MG.

A atuação de Leão foi considerada "a receita do colapso" pela revista Piauí, que publicou uma extensa reportagem sobre a situação do município.

Na matéria assinada pela jornalista Thais Bilenky, em março de 2017, a Piauí expõe que - por ser aliado de Jair Bolsonaro, então presidente, e pressionado pelo empresariado - Odelmo adotou um método de isolamento social "com tantas exceções que elas se tornam regra".

Naquela altura, o Brasil já registrava cerca de 280 mil mortos (número que cresceu muito depois disso) e Uberlândia estava no topo das cidades com mais mortes em Minas Gerais, à frente até de Belo Horizonte.

Odelmo também foi criticado por liberar o funcionamento de bares, feiras e até shoppings no período em que a cidade registrava alta de casos, recorrendo inclusive ao Superior Tribunal Federal (STF) para permitir a abertura desses estabelecimentos.

De acordo com a reportagem, essa medida acarretou a sobrecarga dos hospitais da cidade e levou o próprio prefeito a admitir, posteriormente, a declarar que a rede de saúde havia colapsado, com 100% dos leitos de UTI ocupados.

Outro momento da Pandemia que recebeu muita crítica foi a passagem de Jair Bolsonaro pela cidade. Ao desembarcar no aeroporto, o presidente chegou à cidade em crise sem máscara.

Odelmo recebe Bolsonaro no aeroporto de Uberlândia
Odelmo recebe Bolsonaro no aeroporto de Uberlândia (Foto: Divulgação)

Disputa com estudantes, Samu e Paulo Sérgio: outras polêmicas de Odelmo

Em seu mandato de prefeito de Uberlândia, Odelmo foi questionado por outras decisões políticas e estratégicas:

Cancelamento de cessão de quadra para estudantes da UFU

Em outubro de 2022, Odelmo Leão mandou suspender a cessão de quadras esportivas do município que seriam usadas pelos alunos da Universidade Federal de Uberlândia, durante as Olimpíadas da UFU. A medida foi adotada após um vídeo que mostra estudantes fazendo o sinal de "L" com as mãos, em apoio ao então candidato Lula.

A decisão colocou em xeque a realização do evento e provocou uma onde de reclamações, incluindo uma nota de repúdio da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Uberlândia - ADUFU, que o chamou de autoritário:

O fato evidencia o autoritarismo desta cidade, onde coronéis, grandes fazendeiros, grandes empresários possuem liberdade de expressão, mas estudantes são coibidos, censurados, punidos por se expressarem, diz parte da nota.

Odelmo foi contra o SAMU em Uberlândia

Por volta de 2017, municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba buscavam uma solução consorciada para implantar o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) de forma regional. Odelmo Leão, no entanto, optou por não aderir ao Consórcio e deixou Uberlândia sem o serviço.

Na época, duas versões circularam:

  • a oficial, contada pelo prefeito, é de que Uberlândia já possuía um serviço similar, o SIAT. Portanto, não faria sentido aderir ao consórcio.

  • por outro lado, a oposição sugeriu que a decisão foi tomada por questões ideológicas, visto que o SAMU foi um serviço criado pelo governo de Lula (PT), que tinha como liderança na cidade o ex-prefeito Gilmar Machado

O SAMU só foi instalado em Uberlândia neste ano, no mandato do seu sucessor, Paulo Sérgio (PP).

Rompimento público com antigo aliado

Em sua última semana de vida, Odelmo Leão usou as redes sociais para romper publicamente com o prefeito Paulo Sérgio, que chegou ao cargo com seu apoio e foi seu aliado por vários anos.

O ex-prefeito afirmou estar "decepcionado" com Paulo Sérgio.

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Danilo Gonçalo

Escrito por

Danilo Gonçalo

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