Relembre os episódios que marcaram a relação entre Odelmo Leão e Jair Bolsonaro
Ex-prefeito de Uberlândia e ex-deputado federal, que faleceu nesta segunda-feira (27), manteve relação política de décadas com Jair Bolsonaro, desde os tempos da Câmara

Odelmo e Bolsonaro na Câmara, em 2015
A morte do ex-prefeito de Uberlândia Odelmo Leão, aos 80 anos, encerra a trajetória de um dos principais líderes políticos do Triângulo Mineiro. Ao longo de quatro décadas de vida pública, um dos capítulos mais marcantes de sua carreira foi a relação construída com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), iniciada ainda nos anos 1990, quando ambos exerciam mandato como deputados federais.
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A proximidade atravessou diferentes momentos da política nacional, envolveu polêmicas e ganhou força nos últimos anos, refletindo diretamente na política de Uberlândia.
Colegas de Câmara por mais de uma década
Odelmo Leão foi deputado federal entre 1991 e 2004. Nesse período, Jair Bolsonaro também integrava a Câmara dos Deputados.
Como líder do PPB (atual PP) entre 1995 e 2002, Odelmo ocupou uma das posições mais influentes do Congresso. Bolsonaro, então filiado ao PPB, atuava na bancada do partido e chegou a disputar o comando da Comissão de Direitos Humanos.
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Recortes publicados pelo Jornal de Brasília, em março de 1999, mostram Odelmo defendendo a indicação de Bolsonaro para presidir a comissão, em meio à disputa com partidos de esquerda. Na época, o então líder do PPB afirmava que a escolha seguia o critério da proporcionalidade partidária.


Nomeação de Flávio Bolsonaro
Outro episódio que aproximou as famílias ocorreu no início dos anos 2000.
Como líder do PPB, Odelmo Leão foi o responsável pela nomeação de Flávio Bolsonaro, então com 19 anos, para um cargo comissionado na liderança do partido na Câmara dos Deputados, episódio que gerou polêmica por beneficiar o, agora, pré-candidato à Presidência da República.
Anos depois, ao comentar o caso, Odelmo afirmou que não havia impedimentos para a nomeação e que a coordenação das atividades administrativas cabia aos setores internos da liderança partidária. O episódio voltou ao debate nacional em 2019, quando reportagens relembraram que Flávio exercia o cargo em Brasília enquanto cursava faculdade no Rio de Janeiro.
Bolsonaro chamou Odelmo de "meu colega de Parlamento"

A relação construída em Brasília permaneceu mesmo após Odelmo retornar a Uberlândia para assumir a Prefeitura.
Durante visita presidencial ao município, Jair Bolsonaro fez questão de destacar a antiga convivência entre os dois.
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Ao discursar, referiu-se ao prefeito como "meu colega de Parlamento", lembrando o período em que ambos atuaram na Câmara dos Deputados.
Na campanha presidencial de 2022, Odelmo declarou apoio à tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro.
Durante o segundo turno, o então presidente realizou um grande ato político em Uberlândia, reunindo milhares de apoiadores. Odelmo dividiu o palanque com Bolsonaro e reforçou publicamente o apoio à candidatura.
O evento consolidou a aproximação política entre ambos na reta final do mandato presidencial.
Recepção em Uberlândia durante a pandemia

Em março de 2021, já presidente da República, Bolsonaro esteve de passagem por Uberlândia para compromissos oficiais.
Foi recebido por Odelmo Leão no aeroporto da cidade. A visita gerou repercussão nacional porque ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando Bolsonaro desembarcou sem máscara e participou de agendas com apoiadores.
Contato mantido após deixar a Presidência
Mesmo após Bolsonaro deixar o Palácio do Planalto, a relação permaneceu.
Durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre a tentativa de golpe de Estado, foi identificado que Odelmo Leão integrava uma lista de transmissão utilizada por Bolsonaro para enviar mensagens, notícias e links a aliados.
Mais recentemente, após Bolsonaro passar a cumprir prisão domiciliar por determinação do ministro Alexandre de Moraes, Odelmo recebeu autorização judicial para visitá-lo, em meios às tratativas para a campanha para a Prefeitura de Uberlândia.
Influência na sucessão em Uberlândia
A relação também teve reflexos na sucessão municipal de 2024.
Enquanto Odelmo trabalhava para eleger seu então vice-prefeito, Paulo Sérgio, Bolsonaro participou das articulações políticas envolvendo o grupo.
Nos bastidores, a aproximação entre ambos contribuiu para evitar uma candidatura própria do deputado federal Caporezzo (PL) à Prefeitura. Em contrapartida, Bolsonaro conseguiu emplacar o nome de Vanderlei Pelizer como candidato a vice-prefeito na chapa apoiada por Odelmo.


Escrito por
Danilo Gonçalo
