O Governo de Minas decidiu abrir mão de parte do dinheiro que receberia da concessão da BR-365 para ampliar em 10 km a área a ser duplicada no trecho entre Uberlândia e Patrocínio. A mudança foi oficializada após uma reformulação no contrato entre a Agência Reguladora de Transportes do Estado (Artemig) e a concessionária EPR Triângulo.
Na prática, o Estado deixou de receber a última parcela da chamada outorga, valor pago pela empresa ao poder público pelo direito de explorar a rodovia, e transformou esse recurso em investimentos diretos na própria BR-365. A medida permite “antecipar” obras e ampliar a duplicação prevista originalmente no contrato.
Com a mudança, foram adicionados R$ 119 milhões em novos investimentos para duplicação, que se somam aos R$ 146 milhões já previstos. Ao todo, cerca de R$ 265 milhões serão aplicados apenas nos trechos duplicados da rodovia.
Segundo o governo, a decisão busca atender a uma demanda antiga de quem trafega pela BR-365.
Com a reformulação contratual, a extensão de pistas duplicadas aumentou de 36,1 para 46,4 quilômetros, um acréscimo de 10,3 quilômetros, sendo 5,6 quilômetros em Uberlândia e 4,7 quilômetros em Patrocínio.
As obras devem começar no primeiro semestre deste ano, com duas frentes de trabalho simultâneas, e a conclusão está prevista para fevereiro de 2028.
A Artemig afirma que a mudança não altera o equilíbrio econômico do contrato, mas redireciona recursos que iriam para o Fundo Estadual de Desenvolvimento de Transportes (Funtrans) para intervenções consideradas prioritárias.
A agência sustenta que a conversão da outorga em obras permite ganhos mais rápidos para os usuários da rodovia.
Além da duplicação na BR-365, o novo arranjo contratual também antecipa cerca de 5 quilômetros de terceiras faixas na MGC-452, nas proximidades de Uberlândia, outra demanda recorrente de motoristas da região.
A decisão ocorre em um momento de debate intenso sobre concessões rodoviárias em Minas Gerais, especialmente no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, onde parte da população questiona a cobrança de pedágios antes da entrega de melhorias estruturais.

