Os recordes históricos que podem cair na Copa do Mundo 2026
Da artilharia de Klose ao recorde de participações de Messi e Cristiano Ronaldo: Copa pode reescrever a história do futebol mundial em pelo menos quatro marcas consagradas.
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Antes mesmo de a bola rolar no Estádio Azteca nesta quinta-feira (11), a Copa do Mundo de 2026 já carrega o peso de ser a maior da história. São 104 jogos, 48 seleções e 39 dias de torneio. Mas há outra camada nessa edição que vai além das estatísticas do torneio em si: ao menos quatro recordes históricos do futebol mundial podem ser reescritos ao longo das semanas seguintes, por nomes que atravessaram gerações.
A artilharia de Miroslav Klose, intocada desde 2014, está na mira de Kylian Mbappé e Lionel Messi. O recorde de mais Copas disputadas, que resistiu por décadas com cinco participações como teto, pode ser superado pela primeira vez. E, no plano coletivo, toda a lógica de público e número de gols está prestes a mudar com o novo formato expandido.
A artilharia de Klose: 16 gols que resistem desde o 7 a 1

O ranking é liderado pelo alemão Miroslav Klose, que alcançou a marca de 16 gols ao balançar a rede duas vezes em 2014, no Brasil, quando os germânicos faturaram o tetra.
O segundo gol de Klose naquele 7 a 1 sobre o Brasil, em Belo Horizonte, foi o que fez a história: superou os 15 gols de Ronaldo Fenômeno e colocou o alemão sozinho no topo de uma lista que remonta à Copa de 1930. O recorde ganhou um peso ainda maior no Mundial do Brasil, quando ele marcou no 7 a 1 sobre a Seleção brasileira e ultrapassou Ronaldo para assumir sozinho o posto de maior artilheiro da história das Copas. A Alemanha terminou campeã em 2014, o que deu ao recorde do atacante alemão um lugar ainda mais marcante na história do Mundial.
Por mais de uma década, nenhum jogador ativo chegou perto. Até agora.
Mbappé: o favorito a destronar Klose
Kylian Mbappé soma 12 gols em apenas duas Copas disputadas. O francês, de 27 anos, tem uma média de seis gols por Copa. Se mantiver esse ritmo, chegaria a 18 gols em 2026 e seria o novo recordista com folga. O cenário não é fantasioso: em 2022, Mbappé fez oito gols, incluindo um hat-trick histórico na final contra a Argentina.
O cenário mais plausível é o de Mbappé, pois caso marque cinco gols na Copa de 2026, o francês ultrapassa o alemão e assume o topo isolado da artilharia histórica. Cinco gols em um Mundial com sete ou mais jogos é uma meta perfeitamente alcançável para um atacante do seu calibre.
Messi: o desafio da idade
Lionel Messi tem 13 gols em cinco Mundiais, com uma média de 2,6 gols por Copa. Aos 38 anos, o argentino precisaria de ao menos quatro gols para superar Klose, uma marca que sua média histórica não favorece. Ainda assim, sua presença já seria, por si só, um recorde.
A lista dos maiores artilheiros históricos das Copas, para contextualizar onde Messi e Mbappé estão:
Posição | Jogador | País | Gols | Copas |
|---|---|---|---|---|
1 | Miroslav Klose | Alemanha | 16 | 4 |
2 | Ronaldo Fenômeno | Brasil | 15 | 3 |
3 | Gerd Müller | Alemanha | 14 | 2 |
4 | Just Fontaine | França | 13 | 1 |
4 | Lionel Messi | Argentina | 13 | 5 |
6 | Kylian Mbappé | França | 12 | 2 |
Seis Copas: o recorde de longevidade que ninguém jamais atingiu
O recorde de cinco participações pode cair na Copa do Mundo de 2026. Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Guillermo Ochoa seguem em atividade por suas seleções e, caso sejam novamente chamados, poderão se tornar os primeiros jogadores da história a disputar seis edições do torneio.
Ao entrarem em campo neste Mundial, Ochoa, Messi e Cristiano Ronaldo se tornarão os jogadores com mais participações em Copas na história, com seis cada um.

Para entender a dimensão do feito: disputar seis Copas significa manter nível de alto rendimento em seleção por ao menos 20 anos consecutivos, atravessando lesões, mudanças de comissão técnica, gerações de concorrentes mais jovens e a pressão permanente de um torneio que acontece apenas a cada quatro anos.
Messi foi à sua primeira Copa em 2006, aos 18 anos, como reserva na Argentina de José Pékerman. Ronaldo estreou no mesmo ano, também com 21 anos, pelo Portugal de Luiz Felipe Scolari. Ochoa, goleiro titular do México, participou das mesmas edições.
O recorde de jogos, já de Messi
Além do número de participações, o principal recordista em jogos de Copa é o argentino Lionel Messi, que soma 26 partidas em cinco edições do torneio: 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Cada jogo disputado em 2026 amplia essa marca para um território que nenhum outro jogador alcançou.
O recorde de gols em uma edição: Just Fontaine está seguro?
Menos comentado, mas igualmente histórico: o recorde de mais gols em uma única Copa pertence ao francês Just Fontaine, que marcou 13 vezes no Mundial de 1958, na Suécia. A marca resistiu por 68 anos sem ser ameaçada de perto.
Com o novo formato de 2026, as seleções podem disputar até sete jogos antes da final, e quem chegar até o título pode acumular oito partidas. Nunca antes um artilheiro teve tantas oportunidades em um único torneio. Com a ampliação do Mundial e o aumento no número de partidas, os recordes individuais e coletivos de gols tendem a ser superados.
Mbappé, que fez oito gols em 2022 com seis jogos disputados, é o principal candidato a ameaçar Fontaine se a França chegar à final.
O maior público de uma Copa: marca coletiva ao alcance
A FIFA também projeta que a Copa de 2026 terá o maior público total da história. Com 104 jogos em estádios americanos de grande capacidade, incluindo o MetLife Stadium, que comporta mais de 82 mil torcedores, e o Rose Bowl, em Los Angeles, a soma de espectadores presenciais deve superar facilmente qualquer edição anterior.
O peso simbólico desses recordes para o Brasil
Três dos quatro recordes em jogo têm, de formas distintas, conexão com o futebol brasileiro.
A artilharia de Klose foi estabelecida justamente contra o Brasil, na noite mais dolorosa da história recente da Seleção. Ver esse recorde cair pelas mãos de Mbappé seria encerrar um capítulo que os brasileiros prefeririam não lembrar, mas que permanece como marco na história do torneio.
Ronaldo Fenômeno, com 15 gols, segue na segunda posição da lista. Se Klose for superado, o Fenômeno não acompanha. E Pelé, com 12 gols em quatro Copas, aparece entre os dez maiores artilheiros históricos, uma marca que já foi ultrapassada por Mbappé.
No plano positivo, o Brasil ainda ostenta o único recorde que nenhum outro país pode roubar: o Brasil é a única seleção com presença em todas as 23 edições da Copa do Mundo. Em 2026, será a 24a participação consecutiva. Essa, por enquanto, não tem competidor à vista.
Cleiton Dias
Redator
Cobertura regional, política, segurança pública e temas de interesse coletivo no interior de Minas Gerais. Produção de reportagens locais, acompanhamento de acontecimentos comunitários e apuração de informações de utilidade pública, com foco em clareza, precisão e responsabilidade editorial.
