colunista

A FIFA tentou apagar uma marca de 150 anos. A identidade foi mais forte

Entenda como pequenos negócios podem construir identidades visuais tão poderosas que sobrevivem mesmo quando o logo é escondido, como no caso da Levi's durante a Copa do Mundo

4 min de leitura
Início/colunista
levi's stadium com a marca da empresa patrocinadora coberta
Foto: Reprodução

Você provavelmente já viu a história. A FIFA exigiu que o logo da Levi's fosse coberto no próprio estádio da marca durante a Copa do Mundo 2026. Colocou um pano branco em cima, rebatizou o estádio de San Francisco Stadium e tentou, na prática, fazer a Levi's desaparecer de dentro da própria casa.

Não funcionou.

O pano seguiu o formato exato do logo. Aquela forma característica que todo mundo já conhece ficou lá, visível, mesmo sem uma letra. As pessoas reconheceram na hora. Viralizou. E a Levi's ainda entrou na brincadeira nas redes, trocou a foto de perfil pelo logo censurado e transformou a censura em campanha.

Mas antes de falar sobre o que isso ensina, deixa eu explicar o que estava em jogo.

O que é naming rights

Naming rights é o direito de colocar o nome de uma empresa num espaço público, geralmente um estádio ou arena. A empresa paga para que aquele lugar carregue o nome dela.

É uma das formas mais caras e visíveis de branding que existe. O Levi's Stadium, em Santa Clara, na Califórnia, é a casa do San Francisco 49ers, time da NFL. A Levi's paga para que o estádio carregue o nome dela, associando a marca a um dos esportes mais assistidos dos Estados Unidos.

Durante a Copa do Mundo, a FIFA aplica uma política chamada Clean Site. A regra é simples: nenhuma marca que não seja patrocinadora oficial do torneio pode aparecer nos estádios, e isso inclui os nomes das próprias arenas. Por isso todos os estádios com naming rights ganharam nomes temporários. O Levi's Stadium virou San Francisco Stadium. O MetLife Stadium virou New York New Jersey Stadium.

Na prática, a FIFA apagou marcas que pagaram fortunas para estar ali.

O que aconteceu foi uma aula de identidade

A maioria das marcas nessa situação teria ficado quieta. Afinal, é uma regra, não tem muito o que fazer.

A Levi's fez diferente. Entrou na brincadeira, mostrou o logo coberto com bom humor e deixou uma mensagem nas entrelinhas: pode cobrir o nome, mas a forma já é suficiente pra todo mundo saber de quem é.

E esse é exatamente o ponto.

Uma marca construída com consistência ao longo do tempo não depende só do nome pra ser reconhecida. Ela tem forma, cor, personalidade e elementos visuais que ficam na memória mesmo quando o nome some. A Levi's tem 150 anos fazendo isso. O logo dela é tão consolidado que um pano branco no formato exato virou propaganda involuntária.

Seth Godin tem uma frase que resume bem: as pessoas não compram o que você faz, compram o que você representa. E o que a Levi's representa ficou visível mesmo debaixo do pano.

O que os negócios locais aprendem com isso

Você não vai comprar o naming rights de um estádio. Tudo bem. Esse não é o ponto.

O ponto é que o princípio é o mesmo em qualquer escala.

Quando a sua marca tem uma identidade visual sólida, com logo bem construído, paleta de cores consistente e elementos próprios, ela começa a ser reconhecida antes do nome. O cliente vê a cor e já sabe que é você. Vê o estilo do post e já identifica a empresa. Isso não acontece por acaso. Acontece por repetição, consistência e construção ao longo do tempo.

Por outro lado, quando a identidade visual é fraca ou genérica, nem o nome salva. Porque nome sem personalidade é só uma palavra.

A Levi's resistiu à exigência da FIFA porque construiu algo sólido ao longo de décadas. Você não precisa de décadas nem de um estádio com o seu nome. Mas precisa ter uma identidade visual que sustente a sua marca. Seja construindo do zero ou revisando o que já existe, o que importa é ter um logo com personalidade, uma paleta que seja sua e elementos visuais que comuniquem quem você é antes de qualquer palavra.

A pergunta que fica é simples: se alguém cobrisse o nome da sua empresa em tudo que você publica, sobrava alguma coisa suficiente pra te reconhecerem?

Nota da Redação

Os textos assinados por colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião ou o posicionamento editorial do portal Notícias do Triângulo.

Compartilhe esta notícia

Miquéias Azevedo

Miquéias Azevedo

Colunista

Formado em Computação pelo IFTM, é especialista em Marketing, com MBA em Marketing Estratégico Digital e Branding. Sócio da Simple Comunicação e da Via Films, Miquéias é diretor de soluções da CDL de Monte Carmelo, contribuiu para o crescimento de mais de 100 negócios no Brasil, liderou projetos internacionais e esteve à frente de campanhas veiculadas em rede nacional de televisão.